Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha "Recordar e Conhecer"

RANCHO DA MATANÇA

O Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha "Recordar e Conhecer" incorpora no seu conjunto o Rancho da Matança "Os Reizes". Este Rancho é formado apenas por elementos do sexo masculino do grupo, entre cantadores e tocadores.
Das várias manifestações culturais da Ribeirinha, a matança do porco era aquela em que o terceirense, por natureza alegre e folião, encontrava motivo para expandir a sua alegria. Era, e ainda o é, comum cada família criar um porco, que, depois de morto, a sua carne serviria para alimentar a família durante o ano até à matança seguinte.
O dia da matança era dia de folia: convidavam-se os familiares e amigos e algumas pessoas a quem se devia favores.
Todos matavam o seu porco e a casa de maior fartura matava dois ou três. Preparavam-se as salgadeiras, os alguidares, faziam-se os convites, preparavam-se os aventais e os panos para limpar o porco. Na véspera preparavam-se as cebolas e a salsa, e, no dia da matança, logo pela manhã, ao irem chegando os convidados, não faltava o café, as bolachas e a aguardente.

Depois dos trabalhos realizados, jogavam às cartas, as mulheres preparavam o jantar e as crianças organizavam um jogo de futebol em que a bola era normalmente a bexiga do porco.

O povo dizia: "Quem nunca matou nem casou, nunca se consolou".
Frequentemente, havia um grupo de homens que se juntava e visitava a matança, cantarolando músicas específicas deste evento e de época, tirando proveito dos petiscos que na hora as senhoras confeccionavam.
A matança na Freguesia da Ribeirinha era, em tempos, uma festa vivida por quase toda a freguesia. O dia da Matança geral (em que todas as famílias matavam o porco na rua) levava à freguesia imensos visitantes de outras partes da ilha.
Hoje em dia, por força da lei, já não se realiza o dia de matança geral. Todas as famílias que ainda dispõem de um curral ou espaço semelhante, fazem questão de criar o seu próprio porco. Costumam dizer “Esta carne eu sei de onde veio e como foi tratada”. Mais do que uma questão de poupança, é também uma questão de confiança nos produtos que consomem. No entanto, já são cada vez menos as pessoas que realizam a matança de forma tradicional, com muitas famílias a entregarem o porco ao matadouro local, que depois o devolve já morto.
Não obstante, aquelas que ainda mantêm esta tradição, fazem-no com a maior dedicação e folia.
O nosso Rancho da Matança traduz exactamente essa folia e alegria que havia neste acto e actua em festas que se assemelham à matança do porco. Para o efeito foi até mesmo recriado pelo grupo, em esferovite, um porco já morto e pendurado, que se utiliza para representar o acto.