Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha "Recordar e Conhecer"

DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES À FREGUESIA DA RIBEIRINHA

Pertencente à República Portuguesa e com quase seis séculos de presença humana continuada, a Região Autónoma dos Açores é constituída por um grupo de nove ilhas (e alguns ilhéus desabitados) dispersas pelo Oceano Atlântico, com uma população de cerca de 241 mil habitantes, divididos por três grupos (ocidental, central e oriental).

Situado no Atlântico Nordeste, os Açores, como é vulgarmente conhecido o arquipélago, beneficiam do estatuto de ultra periferia, consagrado pelo Tratado de Amesterdão de 1997, pelas suas características específicas, territoriais, políticas e socioeconómicas. O seu modelo de desenvolvimento assenta no aproveitamento e exportação dos recursos naturais (com destaque para o sector agro-alimentar, base económica de toda a exportação), embora, nos últimos anos (principalmente a partir de 1998) se venha a assistir a uma forte aposta na actividade turística.

A descoberta deste pequeno paraíso é uma das questões mais controversas da história dos Descobrimentos Portugueses, com inúmeras teorias sobre a povoação das ilhas e a sua descoberta. No entanto, importa reforçar que, desde cedo, os Açores têm um importante lugar na história de Portugal e do Atlântico, tendo sido a escala para inúmeras expedições dos Descobrimentos, bem como para as suas naus e frotas, vindas um pouco de todo o mundo (Brasil, Índia, Norte de África, etc.). De entre os inúmeros feitos históricos que preenchem a sua história, os Açores congratulam-se por, até hoje, serem um importante centro de comunicações e de apoio à aviação militar e comercial.

Estas belas ilhas começaram a ser povoadas por volta de 1432, pelos portugueses vindos do Alentejo, Algarve, Estremadura e Minho, seguindo-se a incursão de flamengos, bretões, outros europeus e norte-africanos.

Esta diversidade conferiu às noves ilhas açorianas uma riqueza muito própria, sendo que em cada uma das ilhas tem suas especificidades, modos e costumes sociais próprios, bem como uma enorme variedade de expressões, modos de falar, de estar. Os Açores agrupam em 9 ilhas diferentes origens e diferentes formas de utilizar tudo o que a sua estratégica posição geográfica lhes ofereceu ao longo do tempo.

De clima ameno, a paisagem açoriana vem tendo alguma notoriedade turística desde 1980. A emigração, a posição geográfica, situada na encruzilhada das rotas marítimas e no centro das escalas aéreas, bem como a busca por locais de clima ameno associados a propriedades medicinais e terapêuticas, cenários de montanha ou beira-mar e banhos termais determinou a afirmação ao longo dos tempos das ilhas situadas a latitudes subtropicais como destinos turísticos de excelência.

Os Açores têm sucessivamente sido referenciados como um destino de excelência, tendo sido considerados por várias vezes como um dos melhores destinos turísticos e/ou locais a visitar.

Sobre os Açores, Alice Baker refere o seguinte: "...Nos Açores, tudo é novidade e nada é novo. O professor fatigado encontra aqui repouso forçado, com diversões constantes; o doente dos nervos, uma mudança completa de paisagem, com absoluto sossego, sem tentações nem motivo de pressas. Ao artista, ao botânico, ao geólogo e ao filólogo oferecem as ilhas um campo rico e inexplorado".

As Ilhas do Arquipélago dos Açores são, actualmente, as segundas melhores ilhas do Mundo, segundo revista National Geographic Traveler e englobam duas das Sete Maravilhas Naturais de Portugal (Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico e Lagoa das Sete Cidades em São Miguel).

Neste contexto de grande valor, está inserida a ilha Terceira, nossa terra. Situada no Grupo Central, a Ilha Terceira, primitivamente conhecida por “Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo”, é conhecida por ser uma das ilhas mais festeiras do Arquipélago dos Açores. Na sua rica e diversa cultura inserem-se importantes dados históricos, como o facto de a Ilha Terceira ter sido a única parcela do território português a resistir à Dinastia Filipina. Portanto, durante algum tempo, Portugal esteve sediado apenas nesta ilha.

Falar desta ilha é sinónimo de falar de festas. Durante todo o ano os terceirenses celebram inúmeros factos – festas profanas e religiosas intercalam-se num calendário apertado. No entanto, esta é a ilha onde o culto do Divino Espírito Santo se revê com maior intensidade, retratado nos vários impérios dedicados a esta divindade, que se espalham por toda a ilha. Touradas à corda, festas concelhias e festas em todas as freguesias preenchem também os postais mais típicos da Ilha. Para os que nos visitam no Inverno, há ainda o célebre Carnaval da Terceira, o maior teatro popular do mundo, feito pelo povo e para o povo. Por esta altura será comum encontrar todos os salões da terceira cheios de gente a desfrutar de bailinhos e danças de Carnaval, manifestações típicas da Ilha. Não se acanhe, sirva-se de uma Filhó ou Coscorão e sente-se também a ver!

A sua economia assenta na agro-pecuária e na indústria de transformação dos lacticínios. A geomorfologia da ilha faz com que as suas paisagens sejam extremamente variadas e de grande beleza, povoadas de hortênsias, grandes planícies, belas serras e inúmeras grutas, de grande beleza natural. Acidentais naturais geográficos fazem a delícia de todos os visitantes, como o Algar do Carvão, a Grutal do Natal, o Monte Brasil, a Serra do Cume, entre outros.

Não obstante, a paisagem construída da Ilha é também ela um elemento muito característico terceirense. A cidade de Angra do Heroísmo, Património Mundial da Unesco, apresenta a todos os visitantes um conjunto único, com uma malha urbana muito específica. Um colorido casario povoa esta cidade bem como as restantes povoações. A arquitectura é preenchida por uma diversidade enorme de estilos e épocas, com imensos edifícios para o visitante observar. Fortes, museus, igrejas, impérios, bibliotecas, palácios e outros edifícios oferecem ao visitante uma palete de cores garridas e materiais maioritariamente locais.

Como se não fosse o suficiente esta ilha ser rica em cultura e tradições, temos ainda para oferecer uma gastronomia de sabor incomparável. Há iguarias para todas as épocas do ano, algumas específicas de certas festividades, mas certamente o visitante não poderá deixar de provar a queijada Dona Amélia (associada à passagem da Rainha D. Amélia pela Terceira), as filhoses típicas do Carnaval, a célebre Alcatra, regada com um bom vinho local, o Alfenim, o Arroz Doce, a Sopa do Espírito Santo e um bom e fresco peixe, colhido no mar que nos rodeia.

Neste pequeno pedaço de céu está a Freguesia da Ribeirinha, situada na costa sul da Ilha Terceira, ao nascente de Angra do Heroísmo. Terra de gente laboriosa e empreendedora, a população activa está adstrita a diversas actividades: no campo da agro-pecuária tem a sua principal actividade, até porque as condições naturais assim o permitem. De solos férteis, devido à abundância de água, o milho e o trigo abundam nos seus terrenos, com a maioria dos seus habitantes a dedicar-se à Lavoura. Aliás, o gado, especialmente bovino, sempre teve grande tradição na Ribeirinha.

O sector dos serviços também ocupa uma parte significativa da população, com a existência de muitos trabalhadores da construção civil, carpintaria, restauração de mobiliário, pintores, e outros serviços. Parte significativa da população activa desloca-se e trabalha em Angra do Heroísmo, além de outras freguesias, no que se refere à construção civil e outros.

A Serra da Ribeirinha, com 410 metros de altitude, é o ponto mais elevado da Freguesia.

Aqui, poderá obter uma boa panorâmica de toda a freguesia da Ribeirinha, da Cidade de Angra do Heroísmo, do Monte Brasil, dos Ilhéus das Cabras e da freguesia da Feteira. Poderá ainda contemplar a paisagem do interior da Ilha.

Freguesia de grandes tradições e costumes, havia no dia da Sexta-feira dos amigos o hábito da matança colectiva. Os bancos destinados ao sacrifício eram colocados nos lados da rua, junto da casa que tem o suíno para abater. A alegria e a azáfama do povo, aliada ao tom festivo do acto, transformam a rua em arraial. Da cidade e vários recantos da ilha, ali acorriam alegres curiosos para presenciar o ineditismo do espectáculo.

Pelo Verão, é costume uma grande parte da população deslocar-se para a Canada das Vinhas, Feteira (Freguesia vizinha) ou Serretinha, três nomes para uma mesma atitude. Há os figos, as uvas, as peras, as maçãs, e é preciso tomar conta disso, embora ninguém negue que uma mudança de ares alegra a vida e dá novo alento a quem trabalha. Depois da muda, os homens continuavam a vir todos os dias para a Ribeirinha, porque havia terras e vacas a cuidar, só as mulheres e os mais pequenos é que ficavam. O carro onde tudo o que era preciso era transportado é uma verdadeira poesia viva. Cada um fazia dele uma descrição diferente, pois não há duas casas iguais. Colchões, relógios, alguns santinhos de maior devoção, panelas e penicos, uma esteira nova, cestos com roupa, uma caixa mais pequena, cadeiras...

Era uma "casa" que se mudava e não apenas os móveis. Ainda hoje a Muda para a Serretinha acontece, muito embora se faça já em transporte automóvel, sendo que a maior parte das casas da Serretinha já está totalmente mobilada e equipada.

Em outros tempos a freguesia contava com quatro fábricas de desnatação de leite, cujo produto era preparado em Angra. Possui ainda um grande número de teares antigos, cujos preparados serviam para consumo do povo da freguesia.

Actualmente, existem muitas colectividades na freguesia, todas elas empenhadas em diversas actividades, contribuindo para que esta freguesia seja uma das mais activas e ricas da Ilha Terceira.

Nos meses de Julho e Agosto realizam-se as festas populares em honra dos respectivos santos padroeiros, ou o santo orago, onde, para além da procissão, existem sempre animados arraiais. Estas festas constituem uma boa oportunidade para se conhecer as gentes locais bem como para apreciar os seus usos e costumes.

A primeira festa realiza-se na 2ª semana de Julho na serra da Ribeirinha, no centro do Terreiro do Passo. O nome de "Terreiro do Passo", provêm do facto de naquele mesmo largo haver existido um "Passo" das Almas.

A Segunda festa da freguesia acontece na 3ª semana de Julho, e é realizada na rua principal em frente à igreja paroquial. Esta denomina-se Rua da Igreja, ou Meio da Rua e é em plano inclinado. Dela partem várias outras mais pequenas, e paralelamente a ela, passa uma ribeira com a direcção Norte-Sul, geralmente conhecida pelo nome de Ribeira do Gato, indo terminar no lugar denominado o Timão.

A esta rua há quem dê o nome de Sézinha, por relação à Rua da Sé. É muito vistosa para desfiles, touradas e outros eventos. Nas festas, as janelas e varandas destas ruas são engalanadas com lindíssimas colchas regionais do nosso tear e de retalhos de várias cores feitas pelas mãos mágicas deste povo.

A terceira festa tem lugar na última semana de Agosto, na Ladeira Grande, consagrada ao mártir terceirense, Beato João Baptista Machado, que é também o padroeiro deste Grupo. A Fonte da Ribeirinha mesmo sem mordomos, todos os anos no dia 1 de Maio como é tradicional abre as touradas na Ilha Terceira.

Outras Festas:
Janeiro - 6 a 15, Festa de Santo Amaro
Fevereiro - Dia de Amigos(as), Dia de Compadres e Comadres, Carnaval
Março - Lauspreme, Procissão de Passos (ou das amêndoas)
Abril - Páscoa, com a típica procissão dos enfermos
Maio - Nossa Senhora de Fátima
Junho - Festa de São Pedro, Padroeiro
Julho - Sagrado Coração de Jesus ou Procissão das Meninas
Agosto - Festa do Beato João Baptista Machado (Ladeira Grande)
Setembro - Vindimas – Canada das Vinhas
Outubro - Nossa Senhora do Rosário, com Procissão
Novembro - Ofícios de Defuntos
Dezembro - Nossa Senhora das Graças e Natal, com o terço do Menino Jesus

Para terminar, a gastronomia tradicional, resultante das mais variadas influências, é temperada com especiarias exóticas trazidas pelas naus e galeões que por aqui passaram nos séculos XVI e XVII, transformada por 60 anos de domínio espanhol e enriquecida por receitas conventuais de doces, confeitos e licores, apresenta hoje um sabor muito particular.

As gentes da Ribeirinha são especialistas na Sopa do Espírito Santo, a saborosa alcatra bem regada com vinho de cheiro, o sarapatel, as morcelas, a massa sovada, coscorões, o alfenim e arroz doce, tendo todos estes pratos uma grande fama. O queijo de cabra fresco é complemento apreciado da refeição, que também se fabrica na Ribeirinha.